Quinta-feira, 22 de Abril de 2004

um poema para descontrair

Abril





(Adriana Calcanhoto)


Sinto o abraço do tempo apertar
E redesenhar minhas escolhas
Logo eu que queria mudar tudo
Me vejo cumprindo ciclos, gostar mais de hoje
E gostar disso
Me vejo com seus olhos, tempo
Espero pelas novas folhas
Imagino jeitos novos para as mesmas coisas
Logo eu que queria ficar
Pra ver encorparem os caules
Lá vou eu, eu queria ficar
Pra me ver mais tarde,
Sabendo o que sabem os velhos
Pra ver o tempo e seu lento ácido dissolver o que é concreto
E vejo o tempo em seu claroescuro
Vejo o tempo em seu movimento
Me marcar a pele fundo, me impelindo, me fazendo
Logo eu que fazia girar o mundo,
Logo eu, quem diria, esperar pelos frutos
Conheço o tempo em seus disfarces, em seus círculos de horas
Se arrastando feito meses se o meu amor demora
E vejo bem tudo recomeçar todas as vezes
E vejo o tempo apodrecer e brotar
E seguir sendo sempre ele
Me o tempo todo começar de novo
E ser e ter tudo pela frente








Asas





(Adriana Calcanhoto e Antonio Cícero)


Suas asas
Amor
Quem deu fui eu
Para ver
Você conquistar o céu
Observe tudo embaixo
Ser menor do que você
Como tudo é,
E enquanto arde a coragem
Dos desejos seus,
Sem véus (Proteus)
Abra seus poros e papilas e pupilas
À luz da manhã
E muito acima de Ipanema
Tão pequena tão vã
Viva o prazer
O som
O estrondo de uma onda
Na arrebentação
Enquanto eu piro à sua espera
Na esfera do chão









Canção Sem Seu Nome





(Adriana Calcanhoto)


Eu vi você atravessar a rua
Molhando a sombra na água
Eu vi você parar a lagoa
Parada
Você atravessou a rua
Na direção oposta
Pisando nas poças
Pisando na lua
E a poesia ali me deu as costas
E pra que palavras
Se eu não sei usá-las
Cadê a palavra que traga você daquela calçada
Você atravessou a rua
Na direção contrária
E a poesia que meu olho molhava ali
Quem sabe não me caiba
Quem saiba seja sua
Ali atravessando a chuva
Toda lagoa parada
Você na direção errada
E eu na sua
Como fruta do conde
Um rio correndo pra foz
É como se a correnteza
Fosse parada
E tudo, mais tudo, mais tudo,
Fosse igual a nada




publicado por bloguinho às 12:55
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